O governo do presidente Lula (PT) busca se aproximar dos trabalhadores de aplicativos, um grupo predominantemente alinhado à direita, mas enfrenta desafios significativos. A principal reclamação da categoria, ouvida pela Folha, é a falta de um aumento na remuneração e a ausência de uma tarifa mínima para os serviços prestados.

Desde a nomeação de Guilherme Boulos (PSOL) para a Secretaria-Geral da Presidência, o governo intensificou suas ações voltadas para esses trabalhadores, que somam 1,7 milhão no Brasil, de acordo com dados do IBGE de 2024. No entanto, muitas das iniciativas são vistas como paliativas e não resolvem a questão central da regulamentação, que está paralisada na Câmara dos Deputados.

As medidas adotadas incluem a exigência de que plataformas informem os valores repassados aos trabalhadores, uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para financiamento de veículos, e R$ 340 milhões destinados à redução do aluguel de bicicletas elétricas. Além disso, o governo planeja criar pontos de descanso para os entregadores, com o primeiro já inaugurado em Mauá (SP).

Embora algumas ações sejam reconhecidas por representantes da categoria, muitos trabalhadores, especialmente os não sindicalizados, permanecem alheios a essas iniciativas. Edgard Villanova, um entregador de 39 anos, afirmou que, apesar de gostar do ponto de apoio, desconhece outras ações e defende uma tarifa mínima por corrida.

Outros trabalhadores, como Stephanie Fernandes, expressam desconfiança em relação a qualquer ação do governo, associando-as a impostos. A insatisfação também é evidente entre sindicalistas, que criticam a falta de foco na remuneração justa, considerada a questão mais importante pela categoria.

Para Renato Assad, da ONTDR, as medidas atuais são superficiais e não resolvem o verdadeiro problema, que é a baixa remuneração. O sindicato se posiciona a favor de uma tarifa mínima e de remunerações adicionais por quilômetro rodado. Rodrigo Lopes, do Seambape, também enfatiza a importância da remuneração para a qualidade de vida dos trabalhadores.

As ações do governo, segundo a antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, têm um impacto imediato, mas não atacam as raízes das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores, que se sentem pressionados por uma lógica individualista. O debate sobre regulamentação continua complicado, devido a divergências internas e à influência das plataformas.

As medidas do governo incluem:
– Exigência de transparência nos valores pagos aos trabalhadores pelas plataformas.
– Criação de pontos de descanso e suporte, com investimento da Fundação Banco do Brasil.
– Linha de crédito de R$ 30 bilhões para financiamento de veículos.
– Linha de crédito de cerca de R$ 4 bilhões para compra de motos.
– Financiamento de R$ 340 milhões para reduzir o aluguel de bicicletas elétricas.
– Estabelecimento de grupos de trabalho e um comitê interministerial para monitorar políticas públicas para trabalhadores de aplicativos.

Fonte: redir.folha.com.br